segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Untitled.


Um dia me disseram pra eu parar de planejar minhas ações, meus passos, minha vida... Esse costume estava acabando comigo mesmo uma vez que no final vinha a decepção da falha dos planos. Então resolvi parar com isso, resolvi não planejar o que faria a noite com os amigos, com que roupa eu iria naquela festa que eu estava planejando a dias mas eu acabava voltando ao ponto inicial que estava querendo evitar. É tão complicado lidar com as surpresas que a vida nos trás, com as complicações e eu querendo complicar mais ainda com meus planos. Como se eu fosse colocar tudo numa planilha, divida em data, hora, lugar e acontecimentos e simplesmente salvar em uma pasta com meu nome na esperança de acontecer daquela forma. Aí me vem uma inquietação; e se as coisas acontecessem do modo que eu havia planejado? Será que eu teria a mesma sensação de quando eu te vi pela primeira vez, o coração batia mais forte que o normal, minhas mãos tremendo, a ausência de palavras, o brilho nos meus olhos, a surpresa... Sentimentos que talvez eu jamais teria sentido se não fosse essa minha insistente mania de planejar a vida. No final acabo sentindo ao mesmo tempo a felicidade e a supresa do inesperado junto com a decepção e a tristeza da falha dos meus planos; um mix de sentimentos que não consigo descrever direito tampouco nomear, e aí está a dádiva dos meus planos, as consequências dele.


"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro" (Clarice Lispector)