
Um dia me disseram pra eu parar de planejar minhas ações, meus passos, minha vida... Esse costume estava acabando comigo mesmo uma vez que no final vinha a decepção da falha dos planos. Então resolvi parar com isso, resolvi não planejar o que faria a noite com os amigos, com que roupa eu iria naquela festa que eu estava planejando a dias mas eu acabava voltando ao ponto inicial que estava querendo evitar. É tão complicado lidar com as surpresas que a vida nos trás, com as complicações e eu querendo complicar mais ainda com meus planos. Como se eu fosse colocar tudo numa planilha, divida em data, hora, lugar e acontecimentos e simplesmente salvar em uma pasta com meu nome na esperança de acontecer daquela forma. Aí me vem uma inquietação; e se as coisas acontecessem do modo que eu havia planejado? Será que eu teria a mesma sensação de quando eu te vi pela primeira vez, o coração batia mais forte que o normal, minhas mãos tremendo, a ausência de palavras, o brilho nos meus olhos, a surpresa... Sentimentos que talvez eu jamais teria sentido se não fosse essa minha insistente mania de planejar a vida. No final acabo sentindo ao mesmo tempo a felicidade e a supresa do inesperado junto com a decepção e a tristeza da falha dos meus planos; um mix de sentimentos que não consigo descrever direito tampouco nomear, e aí está a dádiva dos meus planos, as consequências dele.
"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro" (Clarice Lispector)
